27 dezembro 2015

Um olhar técnico sobre o lixo





A partir da Politica Nacional de Resíduos Sólidos, a palavra "lixo" ganhou uma nova definição:

Lixo: tudo que não pode ser reaproveitado ou reciclado.
Resíduo: materiais resultantes de atividades humanas e de natureza, que podem ser parcial ou totalmente utilizados.
Rejeito: o que não é passível de reaproveitamento.

A partir de 2010, com a Lei 12.305/10 a situação de resíduo pode ser classificada com 3 tipos:

  • De acordo com seu potencial de risco - NBR 10.004-Resíduos sólidos – Classificação 
  • Quanto a sua origem - Lei 12.305/10-Política Nacional dos Resíduos Sólidos
  • Quanto a sua periculosidade - Lei 12.305/10-Política Nacional dos Resíduos Sólidos.

Esta última classificação se compara bastante a classe I da NBR 10.004.


A seguir, um detalhamento de cada item.

Classificação de acordo com seu potencial de risco - NBR 10004

Segunda a norna ABNT 10.004 os resíduos podem ser classificados com as seguintes classes:

  • Classe I - resíduos perigosos - Resíduos corrosividade (ácido sulfúrico), reatividade (césio), toxicidade (pilhas), patogenicidade (hospitalares), e inflamabilidade (benzeno).
  • Classe II - resíduos não perigosos - A classe II ainda é dividida em mais duas categorias: 
  • Classe IIA - resíduos que apresentam propriedades como combustibilidade (gasolina), solubilidade (soda cáustica), e biodegradabilidade (detergente), em água.
  • Classe IIB - é qualquer resíduo que quando em contato com a água, seja dinâmico ou estático, não tiver nenhum de seus componentes solubilizados à concentrações superiores aos padrões, exceto cor ou turbidez. Alguns exemplos dessas classe vidro, tijolo, concreto, borracha, cerâmica etc.
Classificação segundo a Política Nacional dos Resíduos Sólidos - Lei 12.305/10 

A PNRS classificou os resíduos de duas formas, que constam no art. 13 da lei.


  • De acordo com sua origem: essa classificação é a mais abrangente da lei, pois abriga 11 itens, enumerada de A a K; segue:
  • A) resíduos domiciliares (residências urbanas)
  • B) resíduos de limpeza urbana
  • C) resíduos sólidos urbanos
  • D) resíduos de estabelecimentos comerciais
  • E) resíduos de serviços públicos de saneamento
  • F) resíduos industriais
  • G) resíduos de serviços de saúde (falaremos um pouco mais adiante)
  • H) resíduos da construção civil
  • I) resíduos agrossilvopastoris (agricultura, pecuária) 
  • J) resíduos do serviços de transporte (rodoviário, portos)
  • K) resíduo de mineração

  • De acordo com sua periculosidade:  essa classificação se compara bastante a Classe I da NBR 10.004, pois segundo esta, os resíduos que compõem apresentam características como inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade e patogenicidade.
Outro ponto que quero falar neste post é sobre as características dos resíduos sólidos. Citarei algumas características e também a importância de se conhecer essas características:

  • Características físicas - Geração per capita: a importância de se conhecer quantos kg de resíduo é gerado em 1 mês em determinada cidade é para projetar a quantidade de resíduo a coletar, dimensionar a frota de veículo e também o cálculo da taxa de coleta. Composição gravimétrica: é o quanto de cada material possui naquele lixo, sabendo isso, é possível verificar a taxa de aproveitamentos dos resíduos recicláveis e matéria orgânica. Teor de umidade: essa característica tem influência direta na velocidade de decomposição da matéria orgânica no processo de compostagem. Peso específico aparente: fundamental para o dimensionamento da frota de veículos, essa característica é o peso do lixo não compactado. Compressividade: é o grau de compactação do lixo, que se torna importante, também, para o dimensionamento da frota de veículos.
  • Características químicas -  Poder calorífico: influencia as instalações dos processos de tratamento térmico. Composição química: ajuda a selecionar a forma mais adequada de tratamento. Relação Carbono/Nitrogênio: está intimamente ligada com a compostagem, indica o grau de decomposição da matéria orgânica.
  • Características biológicas - através dessas características é possível determinar o melhor método de tratamento e disposição final. E assim, fabricar inibidores de cheiro e aceleradores/retardadores de decomposição.

Essas características citadas acima podem variar em funções de vários fatores, como: aspectos sociais, econômicos, culturais, geográficos e climáticos.

Os fatores climáticos que podem alterar as características, são as chuvas, que aumentam o teor de umidade dos resíduos; estações do ano, como o verão que faz o índice de embalagens aumentar; e o outono que aumenta a quantidade de folhas caídas no chão.

Épocas especiais também alteram as características, porque, consequentemente, ocorre o aumento de lixo em várias cidade. Há também o fenômeno da cidade turística, que aumenta seus números de habitantes em determinadas épocas do ano, nesses casos é preciso haver um (re)dimensionamento de veículos catadores de lixo e de rotas, para ser capaz de coletar todo o resíduo gerado.

Fatores demográficos e socioeconômicos como por exemplo: o aumento de resíduo gerados em épocas de pagamentos e finais de semana.

Outro tópico desse post é sobre os resíduos especiais, que são aqueles que, geralmente, não são descartados de forma comum, ou seja, não são coletados por catadores nem por serviço de limpeza pública.


Resíduos especiais domiciliares - são os resíduos de entulhos de obras, óleo de cozinha, lâmpadas, pneus, pilhas e baterias. Existem cidades que possuem serviços públicos especializados em coletas deste tipos de resíduos. São resíduos que apresentam mais ricos à saúde pública e meio ambiente.

Resíduos de fontes especiais - esses tipos de resíduos merecem atenção especial em seu descarte, acondicionamento e disposição final, normalmente, são realizados por empresas particulares devidamente cadastradas em órgãos municipais/estaduais do meio ambiente. São eles os resíduos industriais, resíduos radioativos (no Brasil o resíduo radioativo está a cargo da CNEN - Comissão Nacional de Energia Nuclear), resíduos de portos e aeroportos (o cuidado está em decorrência do risco de transmissão de doenças já erradicadas no país), resíduos agrícolas (um dos mais agressivos ao meio ambiente), e por último os resíduos de serviços de saúde.



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Por hoje é isso. Em uma outra postagem falarei sobre os tratamentos dos resíduos.

Até mais.





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